O senador Davi Alcolumbre foi eleito presidente do Senado Federal neste sábado, 1º, com 73 dos 81 votos da Casa. Sua vitória já era considerada certa há pelo menos um mês, resultado de sua forte habilidade de articulação política. Alcolumbre conseguiu unir apoios improváveis, conquistando tanto o PT, do presidente Lula, quanto o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Alcolumbre já ocupou a presidência do Senado entre 2019 e 2021, quando rompeu a hegemonia de Renan Calheiros (MDB-AL) no comando da Casa. Nos últimos anos, esteve à frente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o mais importante colegiado do Senado, responsável por ditar o ritmo de pautas fundamentais antes de serem votadas em Plenário. Durante esse período, também se destacou como um dos principais articuladores das emendas parlamentares e das negociações de bastidores envolvendo cargos e relatorias, o que foi decisivo para sua candidatura de consenso na eleição atual. Ao todo, Alcolumbre reuniu apoio de 12 partidos, incluindo PT e PL.
Figura emblemática do Centrão, o senador demonstrou habilidade ao equilibrar interesses divergentes. Durante o governo Bolsonaro, viabilizou pautas importantes para a direita, mas, com a chegada de Lula, adotou uma postura mais moderada, impedindo avanços da extrema-direita e se aproximando do petismo. Agora, em sua nova gestão, terá o desafio de conciliar os interesses de seus dois principais aliados. Por um lado, precisará impulsionar projetos econômicos do governo Lula; por outro, atender às demandas dos bolsonaristas, que pressionam pelo avanço de pautas como a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Influência política e trajetória
A força política de Alcolumbre também se reflete na composição ministerial do atual governo. Ele foi o principal responsável pela indicação de dois ministros: Juscelino Filho (Comunicações) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional).
Com uma trajetória consolidada, Alcolumbre não é novato na política. Já foi vereador, deputado federal e está no Senado desde 2015. Ao longo da carreira, passou por PDT e PFL antes de se tornar uma das principais lideranças do DEM, partido que posteriormente se fundiu ao União Brasil, onde manteve sua posição de destaque.