ALAP debate avanço da vassoura-de-bruxa e riscos à mandiocultura no Amapá


A Assembleia Legislativa do Amapá (Alap) realizou, na manhã desta quinta-feira (13), uma audiência pública para discutir os impactos do fungo vassoura-de-bruxa no cultivo da mandioca. A doença, considerada uma das maiores tendências atuais à agricultura familiar do estado, preocupa produtores, autoridades e instituições de pesquisa. O debate foi solicitado pelo deputado estadual Jesus Pontes (PDT).

Identificada pela primeira vez no Brasil em 2023, no município de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, a praga—causada pelo fungo Ceratobasidium theobromae —já foi confirmada também em Calçoene, Amapá, Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio. Sua rápida expansão acendeu o alerta no setor agrícola, para comprometer a produtividade e a segurança alimentar de milhares de famílias que dependem da mandioca como principal fonte de renda e sustento.

A doença provoca deformações, brotações anormais e redução significativa das raízes, tornando muitos trabalhos inviáveis. A facilidade de disseminação também preocupa: como os agricultores costumam compartilhar mudas de maniva, o fungo pode ser transportado em veículos, ferramentas e até nas roupas, aumentando seu alcance. Durante a audiência, o promotor de Justiça do Meio Ambiente, Marcelo Moreira, comparou o avanço da praga à pandemia de COVID-19, chamando-a de “o COVID da agricultura”.

Foto de P.(115)

O deputado Jesus Pontes destacou que a vassoura-de-bruxa é tipicamente como praga quarentenária, de alto risco fitossanitário, e reforçau a necessidade de ação rápida. “A mandioca é o principal alimento da nossa população e a base econômica de muitas famílias. Estamos dando voz aos produtores para construir soluções conjuntas e enfrentar essa crise”, afirmou.

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O deputado Júnior Favacho também defendeu maior integração entre pesquisa e campo. Ele lembrou que destinou R$ 500 mil em emenda parlamentar ao Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (IEPA) para apoiar estudos sobre a doença. “O Amapá é um estado de solo fértil, mas hoje já não consegue produzir toda a farinha que consome. Precisamos fortalecer a ciência para conter essa praga que vem devastando a produção local”, disse.

Representando o IEPA, o coordenador de Desenvolvimento Tecnológico, Marcelo Carim, ressaltou que o instituto já trabalha em protocolos de manejo e na produção de mudas livres de contaminantes, envolvidos no Laboratório de Cultura de Tecidos. Ele afirmou que o enfrentamento da doença depende de apoio técnico ao produtor e investimentos em infraestrutura de pesquisa e extensão.

Os agricultores também colocaram suas preocupações. Presidente da Associação de Produtores de Itaubal, Douglas Dutra afirmou que a praga ainda não foi identificada na região, mas que os produtores têm adotado de medidas preventivas. “Melhoramos o espaçamento das plantas, investimos em segurança e técnicas mais sustentáveis. O que falta é assistência técnica contínua para manter o controle quando a doença chegar”, destacou.

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Participaram ainda da audiência a chefe-adjunta de Pesquisa da Embrapa Amapá, Ana Elisa Montagner; a diretora de Defesa Agropecuária do Estado, Kelly Gonçalves; a secretária do Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural, Beatriz Barros; e o superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária do Amapá, Patrick Cantuária.

Ao encerrar os trabalhos, o deputado Jesus Pontes afirmou que a Alap seguirá acompanhando o tema. “O Amapá precisa agir com urgência. Não há solução de curto prazo, mas quanto antes unirmos esforços, mais rápido poderemos conter o avanço da doença e proteger a base alimentar do nosso povo”, concluiu.

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