Escolas de Samba de Macapá brilham em duas noites de desfiles no sambódromo

Sob chuva, a Avenida Ivaldo Veras brilhou na noite de sexta-feira, 28 de fevereiro, com a abertura do maior Carnaval do Meio do Mundo, no Amapá. Às 22h15, os foliões da Embaixada de Samba Cidade de Macapá deram início ao desfile do Grupo de Acesso.

Embaixada de Samba Cidade de Macapá

Ao longo da noite, também se apresentaram as agremiações Solidariedade, Império da Zona Norte, Piratas Estilizados e Império do Povo.

A Embaixada de Samba Cidade de Macapá exaltou os feirantes e as feiras que movimentam a economia no enredo “A Vida é uma Feira”. A escola abriu os desfiles no Sambódromo com mais de uma hora de atraso, enfrentando a chuva. Comemorando seu Jubileu de Diamante e buscando quebrar um jejum de 12 anos sem títulos, a agremiação transformou a Avenida Ivaldo Veras em um palco de celebração carnavalesca. O desfile contou com cerca de 900 brincantes, divididos em 12 alas, um carro alegórico e três tripés.

Embaixada de Samba Cidade de Macapá aposta da vida de feira para ganhar o título do Grupo de Acesso

A Associação Recreativa Império de Samba Solidariedade foi a segunda escola a entrar na avenida, trazendo o enredo “Do Universo de Olorum, Rei Oxaguiã – o Senhor da Renovação Constante”.

Associação Recreativa Império de Samba Solidariedade

A escola, do Grupo de Acesso, celebrou a cultura e religião afro-brasileira, com sua bateria pulsante e uma comissão de frente que encantou o público com uma encenação acompanhada de efeitos pirotécnicos.

Na comissão de frente, Solidariedade apresentou- “Ele surge, guerreia e renova- Salve o Senhor de um enredo sui generis!”

Abrindo os desfiles do Grupo Especial, a Império da Zona Norte apresentou o enredo “Isaac e sua Alegria: um conto de amor na passarela da folia”, homenageando um casal que se tornou símbolo de luta comunitária no estado.

Agremiação abriu desfiles do Grupo Especial com homenagem a pioneiros do Amapá

Recém-promovida ao Grupo Especial após a conquista do Acesso em 2024, a escola entrou na avenida disposta a surpreender.

Império da Zona Norte

A Piratas Estilizados foi a segunda agremiação do Grupo Especial a desfilar. Com 51 anos de história, a escola apostou no enredo “Da Lenda de Iaça ao Sabor Açaí que Conquistou o Mundo”, exaltando o principal fruto da cultura amapaense.

Sabor do açaí e ancestralidade indígena foi destaque no sambódromo de Macapá pela Piratas Estilizados

A bateria “Orquestra de Bambas” contagiou o público, e o último carro alegórico celebrou a expansão mundial do açaí, retratando pontos turísticos de países como Estados Unidos, França e Japão.

Piratas Estilizados

Fechando a primeira noite de desfiles, a Império do Povo trouxe o enredo “Kusiwa – O Caminho Desenhado Sobre a Pele”, abordando o grafismo dos povos Wajãpi, reconhecido como patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO e pelo IPHAN.

Alegoria trouxe em sua composição um espírito indígena

A segunda noite de desfiles começou no sábado, 1º de março, também sob chuva. Passaram pela avenida as escolas Emissários da Cegonha, Unidos do Buritizal, Boêmios do Laguinho, Maracatu da Favela e Piratas da Batucada.

Emissários da Cegonha

Buscando o título do Grupo de Acesso, a Emissários da Cegonha abriu a noite com um desfile marcado por uma alegoria de grande porte e a tradicional “Cegonha” movendo suas asas sobre a avenida. A escola impressionou com fantasias detalhadas e encerrou sua apresentação em 1h19.

Emissários da Cegonha foi a primeira da noite de sábado, na passarela do samba, Ivaldo Veras

A Unidos do Buritizal foi a segunda a entrar na passarela, trazendo o enredo “Sou caboclo ribeirinho, de corpo, alma e verdade. Sou Macapaba, eis a minha identidade”.

Unidos do Buritizal

O desfile destacou a biodiversidade da floresta e a cultura dos povos tradicionais, emocionando o público com suas cores vibrantes e forte identidade tucuju.

Unidos do Buritizal apresentou as tradições da riqueza cultural da vida tucuju

A Boêmios do Laguinho, uma das mais tradicionais do carnaval amapaense, apresentou o enredo “Elogio da Loucura”, inspirado na obra de Erasmo de Roterdã.

Agremiação teve como inspiração a obra de Erasmo de Roterdã, escrita em 1509 e publicada em 1511, para o enredo

O desfile contou com alegorias grandiosas e encenações teatrais que trouxeram um cenário sinistro e luxuriante para a passarela.

Comissão de Frente mostrou que a loucura também pode ser transformada

A bateria “Pororoca” se destacou, com um “paradão” que eletrizou o Sambódromo.

A cura da loucura, foi apresentada no bailado do mestre-sala e da porta-bandeira

Penúltima escola a desfilar, a Maracatu da Favela homenageou o poeta e músico Joãozinho Gomes com o enredo “Amazonizar: O Olhar do Poeta Joãozinho Gomes em Verde e Rosa”. O desfile trouxe um retrato poético da Amazônia, traduzido em alas e alegorias inspiradas nas obras do artista.

A verde e rosa de Macapá busca quebrar o jejum de títulos do Grupo Especial

Encerrando o Carnaval do Meio do Mundo 2025, a campeã do Grupo Especial de 2024, Piratas da Batucada, apostou no enredo “A Realeza do Sertão: o cordel azul e dourado de quem fez deste torrão o seu reinado”. A escola celebrou a cultura nordestina e suas influências medievais europeias, com um desfile grandioso e alegorias impressionantes.

Piratas da Batucada busca o pentacampeonato consecutivo do Carnaval 2025
Piratas da Batucada busca o pentacampeonato consecutivo do Carnaval 2025

Durante as duas noites de festa, 10 agremiações passaram pelo Sambódromo de Macapá, entre elas Unidos do Buritizal, Emissários da Cegonha, Embaixada de Samba Cidade de Macapá e Solidariedade, pelo Grupo de Acesso; e Império da Zona Norte, Piratas Estilizados, Império do Povo, Boêmios do Laguinho, Maracatu da Favela e Piratas da Batucada, pelo Grupo Especial.

O Carnaval do Meio do Mundo 2025 foi realizado pelo Governo do Amapá, em parceria com a Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap) e contou com apoio de emenda parlamentar do senador Davi Alcolumbre.

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